Arquivo da tag: tristeza

A CARENTE DO SALÃO

Muitas mulheres buscam num salão de beleza os segredos de Afrodite, mas também um relax das agruras do cotidiano.

carente do salão

 

 

Contudo, existem aquelas que, para a sua sorte e o azar das demais, deseja ouvidos e corações abertos e apaixonados por ela (ela acha que é super queridona). São as CARENTES DO SALÃO! Vulgas malas-sem-alça, inconvenientes, muitas vezes rudes na tentativa de serem engraçadas, querem ser vistas, admiradas, acreditam ser super queridas e muito divertidas. Na verdade, não percebem que a educação das parceiras de beleza lhe dão a falsa sensação de que é mesmo um sucesso!

De primeira você até lhe dá atenção, mas de segunda e de terceira, tem vontade de não fazer as mãos, chega a cogitar voltar em outro momento ou passar a marcar horários à tarde. A Carente do Salão geralmente não é bonita, está acima do peso, ou como Analú, representante imbatível, que emagreceu uns 15 quilos, e que por isso usa calcas antigas, largas, para que lhe perguntem ou elogiem sobre a nova forma.

 

 

Analú adora falar de sua vida em altos brados com sua voz intolerável  como se fosse a melhor aventura que você poderia curtir! Seus filhos são os mais inteligentes, suas discussões no trabalho são todas vencidas por ela, seu carro é poderoso e custou muito caro, sua casa é linda (embora finja desconsiderar que as manicures são pessoas mais simplórias do que ela, digo finge, porque gente assim, na real, tem problemas de autoestima, logo gostam de humilhar, mas fingindo que não o estão fazendo). Ela se acha tão especial que, por vezes, não marca hora e acha que sua manicure preferida e a recepção do salão teriam a obrigação de saber que o horário É DELA! Faz barraco e tudo, mas se o salão banca, ela toma um café e diz que volta no outro horário que lhe reservaram. E ela consegue inventar para si mesma que é tão querida a ponto de lhe arrumarem outro horário.

Nossa Valentina se ferrou quando pensou que seria a primeira a chegar ao salão de beleza naquele sábado de sol. Até ficou na dúvida se já estaria aberto, pois ainda eram 9h55. Mas como salão é lugar de mulherices, e talvez só mulheres entendam a importância dessa atividade feminina, a recepcionista já sorria antes mesmo da jornada começar oficialmente. Pedindo desculpas e recebendo a acolhida, Valentina então relaxou.

Seguiu para o setor das manicures, onde já havia uma pessoa terminando um cappuccino: Analú (como ela mesma se auto-intitula, “para os íntimos”, só que todos são obrigados a serem íntimos seus). Mais do que depressa, Valentina sacou um livro antes que Analú pudesse responder ao seu “Bom dia!” pois, do contrário, teria de dar atenção àquela mulher-toda-plugs, com condutores na ponta para lhe tirar todas as formas de contato, alimentando sua carência em formato de buraco negro, onde nada é o bastante. Já havia presenciado Analú em sua performance, e sabia quem ela era.

Como não havia nem manicures, Analú ficou calada diante da leitura iminente de Valentina. E vieram outras clientes. E o show começou. Fez as mãos e saiu (só conseguira um horário e voltaria mais tarde para fazer os pés). Não deu 20 min retornou com uma sacola. “GENTEEEEE!! Olha a minha bota!!! Comprei para a festa junina da escola dos meus filhos!!!!” (Uma bota “cor de burro quando foge, kkkkkkkkkkk”, ela ri  para lembrar a si mesma do quanto é engraçada). “Foi baratinha, R$ 590,00, Mariluce (sua manicure)!”. Não satisfeita com a baixa adesão, ela cria outra estratégia: “Vou desfilar, gente!!!”. E calça as botas, anda se rebolando que nem uma idiota, aliás é o que ela é, já que ninguém olha, a não ser uma moça (nova cliente, caiu na armadilha da primeira vez, coitada!).

Outra cliente chega, cumprimenta a todos e Analú lhe diz: “- Perdeu!!! Até desfile eu fiz aqui!”. A mulher nem respondeu. Meio que só na sua euforia, Analú saca o celular e segue em sua compulsão por atenção, agora com uma prima. Berros, gargalhadas… Assim seguiu a Carente do Salão, até que Valentina finalmente partiu, dividida entre os sentimentos de irritação e pena.

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher

MULHERICE COMEÇA NA INFÂNCIA

Essa história é sobre ovos e escola. A inspiração veio diretamente dos EUA (verdade!).

Quando Valentina tinha apenas 9 anos, começou a sofrer uma espécie de bullying por parte de uma colega de sala. Ocorre que Valentina era muito mais bonita do que a outra e também muito querida pelos meninos da sala e também da escola. Mas até aí, tudo bem. Só que a colega começou a apertar o desconforto de Valentina, Continuar lendo

6 Comentários

Arquivado em Comportamento, Sentimentos, Uncategorized

SEDUZIR PARA MATAR

Existem mulheres, e essas beiram à psicose, que primeiro se dedicam a seduzir e depois a destruir. E nesse seduzir/destruir cabe tudo: amigos, amigas, maridos de amigas, maridos de desconhecidas… O que vier ela quer. Começam fazendo o tipo “mulherzinhas”, legais, calminhas, frágeis e fortinhas ao mesmo tempo, como se não ligassem para si mesmas (quando são bonitas fingem que não são, homens feios e pessoas de baixa estima são suas presas favoritas; esses então, ficam de quatro).  Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Comportamento, Homem, Medo, Mulher

APOIO À RIHANNA ou homem pode bater em mulher? (PARTE I)

Desde que a jovem cantora americana Rihanna decidiu reatar seu namoro/casamento com o cantor Chris Brown (para quem não sabe, ela foi vítima de agressão por parte dele, o que culminou numa separação), tenho notado várias piadas de mau gosto, mas apenas direcionadas a ela. E daí me pergunto: Por que ninguém faz piadinhas para o garotão “mamãe sou forte, bato em mulher?” Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Comportamento, Homem, Mulher, Sentimentos

EU POSSO SER VALENTINA

Valentina tem mais ou menos 46 anos. Separada, independente financeiramente como muitas mulheres da sua geração, ela já está certa e convencida de que não existe homem perfeito, maravilhoso, um príncipe encantado. Já superou essa fase de encontrar a alma gêmea: “- Isso está por fora!”, ela diz sempre para as amigas.

Meio-dia e pouco, trânsito ligeiro em São Conrado, Valentina olha para o lado, e lá está ele. Um homem de 50 e poucos anos, vidro aberto para o insulfilme não esconder suas intenções. Óculos escuros, sol, céu azul no Rio de Janeiro, mas poderia ser em qualquer lugar. Charme ocasional ou premeditado? Não sei, não… Continuar lendo

7 Comentários

Arquivado em Amor, Comportamento, Homem, Mulher, Príncipes, Princesas