Arquivo da tag: infância

POXORECA

Minha amiga tem um filho que é uma figura. Um dia desses, ela falava que iria para Poxoréo a trabalho, em Mato Grosso. E começou aquela função, arruma mala, briga com o filho que estava zanzando, combina coisas com a empregada… Eis que sua gerente liga e diz que a viagem foi cancelada. Ela, aliviada, deu um gritinho “u-hu”!

“Baleia Branca” (apelido do menino, uma brincadeira de família, ele não era gordo), do alto de seus cinco anos entrou no quarto e perguntou: “Mãe, você não vai mais para Poxoreca”?

À minha amiga só restou cair sobre a cama morrendo de rir.

(Imagem: turismo.culturamix.com)

4 Comentários

Arquivado em Comportamento

MAIS MULHERICES AOS 50

Cristina, outra mulher muito bonita, era chamada de “filha pérola” pelo pai (o mesmo pai de Sílvia, do post entre as Rapidinhas 31 e 32). Talvez pela feminilidade tão forte que transpira, desde bem novinha, também é cheia de mulherices, aliás, talvez uma das mulheres que mais as cometa, com muita sabedoria e curtição.

Quando criança pediu à mãe que comprasse um creme de cor azul que viu na farmácia, chamado “Serra Azul” (“Era uma delícia!”, ela se lembra. Após o banho passava o creme se deliciando). Outra mulherice precoce, é que naquele tempo ninguém quase usava shampoo, era uma coisa nova, e ela também pediu que comprasse. Com os irmãos brincava de cabeleireira, cortando-lhes o cabelo (nem sempre o resultado era bom). Nunca se esqueceu do primeiro namorado aos 4 anos de idade, que ficou com ela do lado de fora da festa na escola, pois nem sua mãe nem seu pai se lembraram de pagar para que participasse e a escola sequer teve consideração, era só cobrar de novo. Então, ser dengosa sempre foi com ela mesma.

Uma de suas mais incríveis foi assistida pela sobrinha de 16 anos, na época, quando foi visitá-la na Suíça, onde morava (outra de suas mulherices: morar em países diferentes). Entraram no ônibus e havia apenas dois assentos vazios, mas quando chegaram perto viram que estavam ocupados por mochilas. Ela virou-se para trás e perguntou a um casal de jovens se lhes pertenciam. O rapaz disse que sim, mas não moveu uma palha para retirá-las, tipo “são minhas, mas ficarão aí”. A moça tirou, talvez antevendo o que uma mulher pode fazer quando irada.

Cristina não se fez de rogada. Sentou e jogou as mochilas por cima de sua cabeça para trás. A sobrinha disse: “Tiaaa! Não precisava ser tão violenta”! E ela: “O que foi? Esses suíços, tão finos, são é muito folgados”!

(Imagem: lojaallori.blogspot.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher

MENINAS DA ROÇA, MULHERES DA CIDADE

Ouvir memórias de infância é algo que me fascina. Aqui, nas cidades do Espírito Santo, quase todas as mulheres com quem conversei sobre suas infâncias começavam dizendo: “A minha infância foi na roça…”. E lá vinha muita brincadeira na lama, caveiras de mamão, crueldades com primos e irmãos, biscoitos de avó, aranhas, bonecas de espiga de milho, TV só muito depois, enfim, infância na roça. Mas hoje elas estão na cidade, sendo do interior ou não do estado, e não se percebe mais tais vestígios, só mulherices contemporâneas e urbanas, tais como roupas da moda, cabelos escovados, papo aberto, medos de escada rolante, de elevador, calças saruel, maridos, namorados…

Muito interessante pensar que essa “infância na roça”, apesar de ter ficado para trás na voz dessas mulheres (a maioria ainda tão jovem), é motivo de orgulho, uma espécie de luxo: brincar de pés descalços no rio, correr pelo mato… Amazonas do Espírito Santo, eu poderia assim chamá-las.

Mas é quando riem, quando falam besteiras, quando trocam mulherices, que ainda consigo enxergar aquele espírito livre de quando eram crianças. E vem o cheiro de bolo, do leite queimado, a fala da mãe que quando não queria proibir algo apenas dizia “porta-me-lá” (não me importa que você vá, mas eu não aprovo). Entretanto, ao mesmo tempo as perco de vista, as Amazonas, que ficam à sombra das mulheres da cidade.

6 Comentários

Arquivado em Comportamento, Felicidade, Mulher