Arquivo da tag: felicidade

SAUDADE DE BATATA PALHA

Quando uma mulher vai morar fora de seu país, certamente sente falta de muitas coisas. É o caso de Carol, mulher jovem que arriscou e seguiu para Moscou, isso, Moscou, Rússia, 30º abaixo de zero, mas o motivo é nobre: fazer uma vida nova com um homem.

Com suas mulherices, faz balé, cuida da casa e agora está na empreitada de uma sociedade para disseminar arte contemporânea brasileira (ela é dada ao mundo do diferente, do original, do sensível).

No Natal veio para o Brasil pegar o calor do sol e do coração da família e dos amigos. Ao ser perguntada pela sogra sobre que tipo de batata poderia acompanhar o tender (no forno, super encrementada com ervas ou uma simples batata palha de saco), ela não titubeou: “Ah! Batata palha! Tô morrendo de saudade de batata palha”!

Vocês estão vendo o que é um mulherice? É isso: matar saudade de coisas simples (quando estão ao nosso alcance, mas que, quando longe, tornam-se especiais). Como ela, a própria Carol, simples mas especial, de perto ou de longe, que agora faz pequeno estoque de batata palha na mala para comer no frio de Moscou.

(Imagem: www.chefgalles.com.br)

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Felicidade, Mulher

SUGESTÃO DO DIA

Certa vez, saí para jantar pela primeira vez com um cara que disse meio que estranhando o fato de eu estar comendo, com vontade, uma comida que estava maravilhosa: “Mas você come, hein”?! “Como assim?”, perguntei, já achando que o cara estava me chamando de grosseirona. “É que mulher geralmente come pouquinho, diz que tá sem fome, sei lá. E você pediu uma pasta e a está comendo com tanta apreciação e prazer que eu ainda não tinha visto numa mulher, juro”!

Sugestão do dia: coma e beba  o que quiser, estale a língua se estiver gostoso, fique à vontade, nem que seja para aproveitar a comida se o cara se revelar desinteressante. Nada de ficar tensa, parecendo “fina” em excesso (hei! finesse, só se for natural seu, do contrário fica artificial). Ser a gente mesma é a melhor coisa para a gente mesma. E se dizem que devemos ser, em primeiro lugar  nossa melhor companhia, imagine para os que estão conosco.

Pois é, cansei de ver em mesas ao lado da minha, casais que pareciam não ter muita intimidade, pois a tensão da mulher é algo muito notado, ainda que sutil (mas eu tenho essa mania horrorosa de reparar nos outros…). Vejam essa história:

Na mesa ao lado no restaurante, um jovem casal jantava. Pareciam recém casados. 1º, porque não tinham mais de 25 anos. 2º, porque a aliança parecia haver sido lustrada antes de saírem de casa. Eram bem brancos, gordinhos, ela era loira e ele nem tanto. Ela era quem menos estava à vontade, com cuidados para cortar a carne, uma tensão muito tênue a envolvia. Ele, como a maioria dos homens, comia solto, tensão zero, apetite 10.

Quando falo que era notória a falta de intimidade, é porque além de quase não conversarem (só falavam e, muito pouco, sobre a comida), embora para nada com cara de chateados, a não ser que disfarçassem muuuito bem, o que não me pareceu, não trocavam carinhos e a moça e seu modo de comer, cheio de dedos, fechava o quadro. Me pergunto: por que há tantos casais sem intimidade? Ou seriam as mulheres com sua tensão, seu desconforto disfarçado que só o faz ficar mais à mostra, deixam isso transparecer?

Moça da mesa ao lado, relaxa! Estala a língua!

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Homem, Mulher

AS POLENTAS

Valentina tem duas amigas muito queridas há pelo menos dez anos. Trabalham juntas, mas não na mesma gerência. Amigas do tipo “as três mosqueteiras”. São As Polentas.

O nome Polentas vem de uma das “Pegadinhas do Mução”, um programa de rádio, que tratava de um nordestino com um jeito de falar muito engraçado que passava trotes encomendados por alguém. Ele tomava conhecimento de alguma “fraqueza” do sujeito e, no meio do papo, mandava sem pena. Aí a pessoa ficava louca, o xingava de tudo!

As Polentas adoravam ouvir (nem tanto os xingamentos, a não ser os muito originais, como “seu boca preta de cachorro!”, mas sim por causa da inteligência e da ironia do Mução); tanto que era a única coisa que acontecia no carro (denominado “Cata-polenta”) que as fazia ficar em silêncio. Então, certa vez, quando ele falava com uma senhora que cozinhava, tinha uma espécie de bufê, ele mandou “barriga de polenta” (o povo a chamava assim, pois ela era barriguda, mas daquelas de pança molenga); daí veio a brincadeira delas entre si, de se chamarem de Polentas. Uma colega até disse que criassem um bloco de Carnaval: BLOCO DAS POLENTAS, SARADA NÃO ENTRA!

As Polentas (que não têm barrigas) são mesmo um presente na vida de Valentina, pois é com elas que come Pipoca Frank (aquela do saco rosa) ao som de Kung-Fu-Fighting, toma café da manhã uma vez por semana antes de irem para o trabalho na padaria do Jerimum (outra brincadeira delas), riem das mais diversas situações olhando pela janela do carro. Até escreveram uma lista de títulos que dariam a crônicas de um livro que farão em conjunto sobre fatos e pessoas testemunhados por elas. Eis alguns: “A Corredora Maluca” (sobre uma mulher com a voz mais chata do mundo que começou a frequentar a academia e ficava se gabando que vinha correndo para o trabalho); “O Carvalhão” (sempre passavam por um caminhão vermelho cujo nome pintado na porta era esse; e de tão alto, nunca conseguiam ver a cara do sujeito); “A Anãzinha do Grajaú” (uma mulher anã que tentava alcançar o interfone sem sucesso); e outros mais!

Pois é. Valentina sabe que pode contar com As Polentas, elas se apoiam, discutem, debatem e se cuidam. Certa vez, uma das Poles (simplificação de Polenta), quando Valentina passara aquele aperto com Marcelo (quem não conhece Valentina nem Marcelo, deve voltar ao texto 1), lhe preparou uma espécie de medalha com dois lados para pendurar no espelho do carro com as fotos de Lenny Kravitz e Robbie Williams, a qual era virada de frente para elas conforme a música que tocava, pois adoravam suas canções e também o shape desses dois homens-cantores-gatos. Parece uma bobeira, mas é uma demonstração de carinho que só uma Polenta designer poderia ter.

Mulheres, quando têm amigas de verdade e desse quilate, encontraram o mapa do tesouro, aquele que fica guardado num baú de prata todo trabalhado e forrado de veludo roxo encorpado, repleto de boas surpresas, como cobertor para o inverno, sorvete para o calor, perfume para a primavera e creme hidratante para o outono.

(Este texto é uma homenagem ao trio das Polentas: Claudia, Ana Cristina e Ruth)

(Imagem: voceachacerto.blogspot.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher, Sentimentos

MULHERICES FOREVER (homenagem à Guégue e Niz Pólis)

Eram duas amigas, aliás primas-irmãs. Já passavam dos sessenta anos, mas ainda curtiam a vida e a companhia preciosa uma da outra. Cheias de mulherices, como estarem bem vestidas e usarem chapéus, não perdiam o hábito de saírem para lanchar ou mesmo de viajar para a Europa, pois Estados Unidos já havia se tornado punk demais para elas.

Amavam inventar histórias. Quando iam para Veneza, cidade sempre visitada, riam dos romances tórridos com que sonhavam quando eram casadas ainda, antes de se tornarem viúvas. Se imaginavam encontrando um homem que lhes pegassem a mão e as conduzisse a uma gôndola. Quando em Gramado, seria um gauchão daqueles que lhe puxariam para dançar batendo botas e dando-lhes apertos pela cintura.

Desde crianças (tipo com quatro anos) eram dadas a essa brincadeira: contar histórias uma para a outra, repartindo fantasias e sonhando juntas. Até quando uma ia ao banheiro, a outra acompanhava e contava histórias de elefantes que invadiam o pátio do jardim de infância e a outra, sentada no vaso, acreditava. Mas a que contava também.

Na juventude sonhavam com um Lô Borges romântico ou um surfista gato. Entre os vinte e trinta se casaram e tiveram uma filha cada uma. Aos trinta e poucos, aspiravam apenas curtir uma praia e assistir comédias românticas para alimentar sonhos e alegrias. E assim foram, juntas, amigas; aos quarenta e poucos nem precisam mais falar para saber o que a outra pensa. Certa vez riram tanto no Mac’Donalds que nenhuma pessoa se sentou à mesa ao lado, com olhar de estranhamento.

Suas filhas únicas as amam, e ainda bem que também se amam, são amigas, aliás, como irmãs, primas-irmãs.

Hoje, já com muita idade, ainda riem juntas, criam histórias, relembram outras, as vividas e as inventadas, bebem Coca Diet, comem salgadinhos finos e curtem seus modelitos parecidos, tal como faziam quando bem pequenas, quando usavam, como se fosse um pacto de sangue, cada qual um pé do chinelo florido da outra, formando pares compostos por Havaianas vermelha e azul.

E lá se vão, pela vida afora, repletas de mulherices, enquanto as Parcas continuarem a tecer o fio de suas vidas.

(Imagem de Ruth Orkin)

 

2 Comentários

Arquivado em Amor, Comportamento, Mulher, Príncipes, Princesas, Sentimentos

PROLONGANDO UMA NOITE (OU MANHÃ?) DE AMOR

Certo dia de manhã, estava eu na rua quando vinha passando um casal a caminho do trabalho. Ele, de terno; Ela, de vestido amarelo; ambos de banho tomado, tipo “acabamos de sair de casa, juntos”. Eles iam conversando; Ela, mais animada e carinhosa, tocava-lhe a todo instante, cheirava-lhe o pescoço quando paravam para atravessar, falava mais do que ele; Ele, parecendo já estar com a cabeça em outro lugar, talvez nas contas para pagar, talvez no trabalho, embora não estivesse com aquela cara de “que saco essa mulher”! Não, ele não tinha essa cara. Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Comportamento, Homem, Mulher, Sexo

RAPIDINHA 19: lugar de mulher é na cozinha

LUGAR DE MULHER É NA COZINHA…

Sentada em uma cadeira confortável, bebendo um bom vinho e olhando o amorzinho preparar o jantar. E ainda pediria e receberia o serviço completo…

 

(Imagem: ahnaomeolheassim.blogspot.com.br)

4 Comentários

fevereiro 13, 2013 · 20:02

RAPIDINHA 17

É bom quando namorado dorme na nossa casa, mas se ele fica muitos dias, depois que vai embora, dá uma saudade aliviada…

 

(Imagem blogestado.com)

8 Comentários

Arquivado em Comportamento