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FABÍOLA, VELHOS TEMAS, VELHAS HISTÓRIAS

Na verdade não se trata de algo velho, como se estivesse ultrapassado. Talvez a palavra seja “recorrente”. Sim, recorrentes são os temas que tratam do respeito que mulheres, pelo simples fato de serem pessoas, merecem. O filósofo já dizia que se queremos saber como são as relações de respeito numa sociedade, vejamos como são tratadas as mulheres e as crianças. E ainda mais outro autor, dentre os meus queridos, Charlot, que diz mais ou menos assim: mas se falta algo para as crianças, é porque está faltando também para todos.

Então, achar que Fabíola merecia apanhar do namorado e ainda ser filmada por um terceiro que acha a mesma coisa, é assunto recorrente. E o pior, a história de Fabíola virar chacota. Grande parte das pessoas (homens e mulheres) acha que ela mereceu. Ou seja, todas as mulheres merecem apanhar porque traíram seus machos. Como assim?

No século XVII, meninas adolescentes e crianças que eram obrigadas a se casar com homens (às vezes muuuito mais velhos) poderiam apanhar dos mesmos se não os obedecessem (ordem dada por seus pais ou preceptores) ou fizessem birra (um comportamento esperado de pessoas de pequena idade). Essa ideia de punir mulheres e crianças passa pelo mesmo ponto; há ali um ser da insanidade, da imaturidade, da irresponsabilidade, enfim, um ser que precisa ser enquadrado. E ai daquela que não obedecer, “que não se der ao respeito”.

Porque traiu, Fabíola não se deu ao respeito. Se fosse seu namorado, a carne dele era fraca. A tese de que o homem é o grande fecundador parece dar conta de sua carne fraca, como se isso fosse de sua natureza. Mas se fosse simples assim, mulheres estariam a todo momento, ou minimamente em seu período fértil, procurando o melhor macho para procriar, e sabemos que machos Alfa estão por aí. E como nem todos os homens possuem esse furor por qualquer fêmea, aliás eles as escolhem por alguma razão, e nem todas as mulheres buscam por esse parceiro ideal a cada ciclo, a teoria não cabe. Dessa forma, não cabe execrar Fabíola. Mas cabe execrar o namorado e o amigo câmera, esses sim estavam cometendo crimes.

Lamento, de verdade, que achemos Fabíola merecedora de ser punida já que desobedecera a regra que nem a natureza valida: só pode ter um macho, mesmo que seja uma bosta. Espero que ela e sua família processem todas as pessoas que validaram a violência contra ela, socialmente. E isso sem falar no que pode acarretar para a própria sobrevivência dela, em termos econômicos, podendo sequer arranjar emprego, pois vivemos num mundo machista.

Fabíola, espero que você fique o mais bem e seus amiguinhos ridículos paguem por isso. E também vê se dispensa o amante, outro idiota. Mas voltando ao início do texto: o que falta para uma pessoa na sociedade, é porque falta para todas.

Que seja feita Justiça todos os dias, em especial a mulheres e crianças.

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O CUIDADO DO MUNDO – sobre o Dia da Mulher

Ja São 23h29, ou seja, falta pouco tempo para terminar o DIA DA MULHER. Valentina sempre passa esse dia dividida entre dois sentimentos: agradecimento pelos que a cumprimentam e tristeza pelas Mulheres (incluindo a si mesma), senhoras, jovens e meninas do mundo (“Se há um Dia da Mulher, é porque ainda somos minoria”).

Quando assistia uma aula de filosofia, Valentina ouviu seu Prof. Leandro Konder falar do advento do arado como um dos principais fatores da soberania do homem sobre a mulher. Entretanto, ela se lembrou de um outro fato que fez com que todos na sala se entreolharem espantados: ” Certa vez li que a superioridade masculina veio com uma descoberta da participação dos homens no nascimento dos bebês.  Antes, as mulheres eram reconhecidas como seres superiores, dotadas do poder de gerar filhos! “, disse ela. Leandro Konder comentou: “E eu pensando que ainda teria tão pouco a conhecer pelo puco tempo que me resta de vida”, como se tal “noticia” parecesse luz nova.

Essa conversa numa aula de Filosofia pode até parecer só uma coisa legal, mas faz lembrar de que ser mulher sempre foi uma coisa muito especial, e antes até mesmo mágica. Sem romantismos, as mulheres ainda são capazes de magia.

Nesse mundo em que vivemos, quem sempre cuidou da humanidade foram, e ainda são, as mulheres. São elas que cuidam da comida, das crianças, dos doentes … Mulheres são solidárias com a humanidade. Há uma fotografia premiada de uma senhora na Europa de lenço amarrado . envolta da cabeça e amarrado no queixo enfrentando um soldado com um escudo blindado. Pelo o que ela lutava? Não vem ao caso. Essa foto mostra a que ponto chega a coragem de uma mulher indignada.

Nesse dia da Mulher, Valentina agradece o carinho de todos que a cumprimentam, mas por dentro tem vontade de pedir que não o façam, pois não se trata de distribuírem flores galantemente; ela pede mais do que isso. Mulheres precisam de respeito, igualdade de salários, não serem desqualificadas, não serem vitimas de violência de toda ordem, desde mutilação clitoridiana até espancamento por um homem, sem serem acusadas de precisar desses castigos (“porque tem mulher que gosta de apanhar”).

Nesse dia da Mulher, e sempre, lembremos de que ainda há muito, muito a se fazer pelas Mulheres. E ao fazermos algo por elas, estaremos fazendo pelo mundo. Um mundo melhor, com mais cuidado.

 

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