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EM PERÍODO FÉRTIL É MELHOR FICAR EM CASA

“Em período fértil, não saia de casa”! Valentina só lembrava da frase do amigo Nei.

Marcou de sair com umas amigas para um bar e não pensou que poderia estar em período fértil, nem quando passou bem perto de um cara tipo machola, de jeans desbotados, camiseta branca e botas de cowboy um pouco surradas, fumando e tomando um chopp de pé na calçada com outros amigos. O cara era demais! “Que gato, gente! Disfarça e olha, ele é o moreno”! As amigas só não gritaram porque já tinham mais de 35 anos, pois se tivessem 15 não iria prestar. “Olha, e tá me encarando”!

O cara chegou em Valentina, lógico. Papo meio tosco, mas não era bobo, talvez só um pouquinho (“Aguento homem rude, tosco, mas bobo, não! Irrita”). Esse “pouquinho” não foi percebido devido ao fatídico período fértil em que Valentina se encontrava, sem perceber. Ela mal ouvia o cara, olhava para o peito pela camiseta Hering, os antebraços bronzeados (nem conseguiu pensar que homem muito bronzeado geralmente não gosta de trabalhar, logo ela que percebe todos esses sinais). Mas quando nossa fêmea fica em estado de alerta, com seus sentidos aguçados, suas narinas quase como as de um cão, já era. Na hora de selecionar um macho podemos abrir a guarda, para não dizer outra coisa, para uma mera (boa) coleção de feromônios. E só.

O pior veio depois, pois homem-feromônio geralmente não fica só uma noite com a gente, não. E Valentina ficou ligada no cara só por causa disso, mesmo não possuindo nada além de sua macheza. E começou a sentir vergonha quando estava ao lado do cara, especialmente com seus amigos. E a grana que não havia? Nem para rachar? E depois para se desfazer do cara quando seus feromônios deixaram de ser por ela percebidos? Rasca total!

Valentina disse que iria viajar e assim fez. Quando voltou 15 dias depois ele parara de ligar, talvez tivesse ativado outra fêmea (ou macho, quiçá!) por aí. “Em período fértil é melhor ficar em casa”! Sábio amigo Nei!

(Imagem:moda.culturamix.com )

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SOBRE “AS CANALHAS”, o programa

Assisti a um dos episódios de “As Canalhas”, novo programa do canal GNT. A história tinha como personagens principais uma estagiária bem jovem, recém contratada, e seu chefe (casado), dono de uma agência de publicidade. O cara era uma caricatura desse tipo de profissional, todo de preto com suspensórios, chapéu e gravatas coloridas. A moça era engraçadinha e muito esperta. O programa tratou, na verdade, de homices e não de mulherices.

1ª homice: o chefe cantando a moça que, de início, ficou animada com o pequeno assédio; mas logo começou a observar que ele também jogava charme para todas as mulheres da agência (2ª homice), o que a fez constatar que não passava de um idiota. Até aí, tudo nos conformes, pois demonstrou que a moça não cumpria o protocolo de se achar mais especial do que as demais (uma mulherice muito recorrente: achar que um safado, quando interessante, vai desistir de tudo só para ficar com ela, A escolhida!).

3ª homice: as atitudes do cara, insistindo em “comer” a moça, desprezando a ideia de que seus comportamentos ora sedutores, ora cheios de desculpas, não significavam que ela não estivesse a fim, talvez apenas “fazendo um doce”.

 4ª homice: as atitudes da moça (sim, ela agia sob a tutela das homices, e não das mulherices). Pensava do alto de sua ingenuidade que o cara não percebia suas desculpas (o que até poderia ser, já que os homens se acham;  mas também porque homem não se importa muito com nossas respostas quando tem em mente a conquista, algo para satisfazer seu ego e seu p…. Geralmente não fica pensando se a mulher está dando desculpas ou não. Como eu já escrevi numa das “Rapidinhas”, “homem com tesão é pior do que homem apaixonado”.

5ª homice: A moça tinha a pretensão de estar enganando o cara, agindo como se fosse um homem: manter a chama acesa com pequenas provocações (homem geralmente não diz que não te quer, apenas curte o assédio se não estiver muito a fim, mas não dispensa); marcar e não aparecer, dar desculpas das mais esdrúxulas (beirando o inverossímil) e manter-se como interessada.

6ª homice: A moça curtia sadicamente a mobilização do cara, mas sem perceber que estava a serviço do mesmo.

7ª homice: Ter que dar para o chefe pois não havia mais saída, já que se envolvera demais. Aliás, nesse momento da história ocorre uma mulherice: ela se consulta com uma amiga que lhe dá esse conselho idiota. Como não há saída? As mulheres não podem desistir de seguir com uma relação, ainda que não totalmente desenvolvida? Tem que ir até o fim? Ah! Outras mulherices ocorrem também, mas cometidas pela esposa traída, que chega à firma e bate no cara e grita perguntando sobre quem ele está “comendo” (mulherice), mas vai embora e continua casada com ele  (mulherice).

8ª homice: o chefe transa com a estagiária no banheiro da firma, goza num minuto, lógico, e ela ali, com nojo de tudo, mas dando para o cara.

Por fim, ela arruma outro emprego e o cara fica meio que a ver navios.

Bem, analisando o episódio, todas as atitudes são em nome de homices, até sexo no banheiro com todo mundo sabendo, aconteceu. E o pior: com a moça achando que estava no comando porque mantinha o cara mobilizado. Ao contrário, ele tinha todo o tempo do mundo, e teve o que queria. E ela? O que ela queria? Príncipe não era, já que de início percebeu o tipo do cara e sabia criticá-lo.

Era suficiente sentir-se dominando (falsamente) uma situação para no fim dar para o cara, ponto de partida da história? Há um filósofo, Derridà, que fala que apenas inverter posições não muda o jogo, o mantém cada vez mais forte; seria como se tivéssemos que realizar uma espécie de deslocamento, o que não houve.

Que pena que a figura feminina da história apenas agiu como um homem agiria, com o agravante de achar que estava pilotando tudo, mas que não passou de uma comandada. Ainda estamos sob o ideário do poder masculino nas relações, por isso em situações assim, a mulher acaba agindo com um, como o verdadeiro original. Há outras coisas para aprendermos com os homens, sem dúvida, como fazer sexo pelo simples prazer ou ter uma praticidade espetacular para enxergar o mundo. Aqui, não foi o caso.

Espero que o título “As Canalhas”, não signifique apenas que as mulheres irão se limitar a imitar os homens no seu pior, vingando-se sozinhas (epa! pior no sentido das queixas das mulheres). Pois esse filme a gente já viu, e morre no final.

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ÍRIS, ESSE ERA O NOME DELA

“Iris, esse era o nome dela. Iris. De sandálias tipo chinelinhos dourados, rasteirinhos, com as unhas pintadas de um vermelho escarlate”… Assim começa mais um texto da infância de Valentina, naquele ônibus escolar.

Iris era jovem,tipo 20 e poucos anos. Baixinha, cabelos lisos, voz um pouco anasalada, mas grossa. Tova vez que falava, os dedos seguiam seus pensamentos, se contorcendo. Assim parecia. Tem gente que é assim, fala e, antes da resposta, balança a perna, pisca e olha para o lado, coça. Iris deslizava os dedos no chinelinho de fundo dourado, fazendo aparecer aquela sola gasta. Mas tinha ali uma felicidade meio pueril… Ainda assim, era um tipo de mulherice, já que todos esses trejeitos ocorriam quando puxava assunto com o motorista, Seu Arapuã: “Pois é, né, Arapuã? Aquele lance…”, dizia quando o papo cessava, já que ele, às vezes, não prestava muita atenção.

Quando se diz que mulherice começa na infância é isso. Aquela sandalinha um tanto chinfrim com aquelas unhas que ultrapassavam a linha dos dedos, gerava um fascínio em Valentina, aquele pé balançando, as unhas…
Desde pequena já percebia algo estranho no ar, o que seria uma mulherice. Contou essa história para sua mãe; juntas, sempre que a situação pedia, uma delas dizia; “Pois é, Arapuã, é aquele lance”!

Valentina não se tornou uma mulher interessante à toa. Teve escola com sua mãe, uma outra danada, de tanta mulherice!

(Essa história é verídica; foi lembrada por uma amiga, Ruth Marina,com quem compartilho a autoria, especialmente das primeiras frases)

(Imagem:futilidadesdiadia.blogspot.com)

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