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QUESTÃO DE EGO FORTE, SUPEREGO FRACO OU ID IDIOTIZADO?

Ouvindo Caetano hoje, disco “Velô”. “No que ela fez isso comigo / Era nunca mais ser seu amigo / Nem inimigo / Nunca mais namorado / Apaixonado / E eu e eu e eu sou / E eu e eu e eu sou”. Caramba Caetano, já havia me esquecido dessa… Mas de que amamos quem não nos merece, dessa é impossível esquecer. Aí penso que o fato de não deixarmos de gostar do outro, ou melhor, achar que gostamos, o que é bem diferente, envolve simplesmente nosso EGO. Digo EGO, pois o SUPEREGO fica incapaz de agir nos impedindo de ficar nesse tipo de situação. Mas por quê? Ele que nos impede até de fazer sexo com o Johnny Depp num sonho de nada, não nos faz parar de ficar atrás de quem não nos merece?

“No que ela não quis o meu risco / Era soprar do olho esse cisco / Que eu já nem pisco / Não dar mais energia / Minha alegria / E eu e eu eu dou / E eu eu eu dou”. Parece que uma espécie de cegueira nos impõe essa condição de não ver bem que o outro/outra não nos quer. Mas será que queremos mesmo esse outro ou é o caso de não estar mais no foco do outro que nos impele para ele? Como disse, o EGO fica tão ferido que o SUPEREGO não consegue nos censurar. E o ID nisso? O que está na nossa constituição de sujeito que o ID parece deixar sua marca na nossa idiotização, mas para apenas algumas pessoas? É, o ID é seletivo, também, como o SUPEREGO, desconfio, já que não são para todos que nos damos o trabalho de sofrer e querer a qualquer custo.

É Caetano, não sei que força tem o EGO quando um SUPEREGO deveria atuar em toda sua potência, coisa que não acontece sempre. Mas nessas situações em que ficamos que nem um imbecis “apaixonados”, eu realmente não sei o porque da fraqueza do SUPEREGO. E aí ficamos no lamento e nas atitudes burrinhas… “Mas se ela não quis meu sorvete / Por que gravá-la em videocassete / Jogar confete”. Obrigada pela inspiração, Caetano!

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A MULHER-GATO E SUAS IDEIAS SOBRE AMOR E COMPROMISSO

O trecho da entrevista que se pode ver abaixo, é com a atriz/cantora/figura Eartha Kitt, ou para quem acompanhava o bom e velho seriado do Batman na TV com seus planos em diagonal quando se tratava do covil dos bandidos, a Mulher-Gato negra, com sua cinturinha de pilão e trejeitos felinos que enlouqueciam nosso herói.

Pois é, meu sobrinho Lucas me mandou tal trecho, pois no meio da entrevista ela pergunta ao mesmo tempo em que debocha do formato “compromisso” e coloca o seguinte: i follow in love with myself, and than i want someone to share it with me/ eu me apaixono por mim mesma, e o que quero é alguém para compartilhar isso comigo.

Não se deve pensar que a vida perde seu sentido se o outro não quer mais compartilhar do nosso amor próprio conosco. Por isso é “com”, junto, somar, o que não significa que havia uma metade que precisa de outra, a incompletude, mas um inteiro que se junta com outro inteiro. E são dois inteiros.

Tal como um Homem-Morcego e uma Mulher-Gato, dois inteiros, nenhum poderia ser a metade do outro, um morcego e uma gata, impossível. E não podemos nos comprometer com o impossível, pois é impossível! Então, Mulheres-Gato, deixem de chorar sobre o leite derramado, pensem que morar numa Bat-caverna com um Batman, enquanto for possível, não é impossível! RWOLLLL!

>>>>>>LINK<<<<<<<< http://www.youtube.com/watch?v=IGYwf7e_cr8

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RAPIDINHA 40 – Homem

“Mulher, para mim, tem de ter, no barato, mais de 35 anos! Não sei como os caras sentem tesão por mocinhas que poderiam ser suas filhas. Eu, quando vejo um homem falar de uma garota, penso logo na minha filha de 22 anos e não consigo ver essa graça toda. Não concebo a ideia de desejar uma mulher que poderia ser minha filha”.

(Fala de um ex-namorado. Bati palmas.)

(Imagem: www.gazetaesportiva.net)

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O ESPÍRITO SACANA DOS CUPIDOS

Há muitas histórias envolvendo a ação dos Cupidos e suas flechadas certeiras. Entretanto, há também aquelas em que o cara passa na hora em que a flecha estava apontada para outro. Aí, babau!

Essa história que ouvi parece ser uma dessas de Cupido.

Catarina resolveu morar em Búzios depois de ter vivido fora do Brasil por uns dois anos. Simplesmente não aguentou a loucura do Rio de Janeiro, passou a estranhar tudo. E foram várias viagens até se decidir por uma casa que gostasse.

O dia em que isso aconteceu foi o mesmo dia em que o Cupido estava por perto. Catarina (54 anos) andava acompanhada de um corretor de imóveis, Alex, um homem de mais ou menos 35 anos. Isso mesmo, um jovem! E lindo! E com um corpinho de Apolo! Até aí  tudo bem, Catarina também era muito bonita e charmosa. E decidida.

Quando foram ver a tal casa, ainda subindo pela ladeira do condomínio, o corretor disse que dava para ver o mar dali. Conforme iam subindo o mato ia dando lugar a um muro de mais ou menos um metro de altura. Catarina disse: “Alex, me ajuda aqui a subir”! Mas foi quando se apoiou no ombro (e que ombro!) dele, foi nessa hora em que o Cupido PÁÁÁÁÁ!, atirou uma de suas flechinhas de ouro direto no coração de Alex!

Como eu sei disso? Já não é a primeira vez em que Catarina, ao colocar a mão em algum homem, arranja logo um fã. E com esse não foi diferente. Acho que o Cupido a acompanha direto, pois os homens vivem caindo aos seus pés, é uma coisa incrível! O único problema é que, nem sempre, o coração flechado  tem um dono bonitão. É nessas horas em que devemos desconfiar do espírito sacaninha dos Cupidos!

(Imagem: www.sobreavida.com.br )

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“O TEMPO PASSOU PELA MINHA CARA E EU NÃO VI!”

D. Léa tinha quase 70 anos quando teve que operar seus olhos por uma catarata precoce. Aproveitaria e também jogaria fora sua miopia. Resistiu enquanto pode, tinha medo de cirurgia como todo mundo, no geral. Aliás, todo mundo, não. Quem faz cirurgia plástica acho que tem menos medo do que os demais. Se arriscar só para ficar mais bonito, sei não. Mas vamos à história de D. Léa, esposa de Seu Francisco, quem também iria se operar pelo mesmo motivo.

Combinaram de se operar no mesmo dia, pois se recuperariam em parceria. Além disso, irem juntos em macas lado a lado lhes dava coragem e a impressão de que renovavam os votos de um casamento de quase 40 anos (“na saúde e na doença, minha querida”, brincou Seu Francisco). “Ai, Francisco, que medo… Acho que não vou aguentar”! Seu Francisco ficou durão, alguém teria de fazê-lo, pois D. Léa tratou de entregar logo os pontos. Foi ele quem lhe segurou a mão.

E riram no quarto ao ficarem nus para vestir aquele avental de paciente aberto atrás, com suas bundinhas já um pouco murchas de fora. Seu Francisco comentou: ‘Puxa, e eu pensando que mais ninguém teria o luxo de ver o meu amor quase nua”. D. Léa disse: “Para! Quer me deixar mais nervosa”?! Mulherices na hora de entrar na faca. Ao acordarem no quarto sorriram um para o outro como se tivessem dormido e despertado de um sonho.

Quando chegou o tempo de verificarem sua visão, D. Léa correu primeiro para o espelho e eis que deu um grito, fazendo Seu Francisco dar um pulo da cama! “Francisco!!!! O tempo passou pela minha cara e eu não vi!!!!! E você é o culpado… Me convenceu a operar, agora eu vendo que envelheci”! Seu Francisco, que sempre fora um homem delicado, dessa vez não aguentou: “Deixa de ser fresca, Léa! Sabe que eu acho que eu também não deveria ter operado os meus”? Mulherices e Homices, quando juntas, são assim: pá-pum de tudo quanto é lado!

(Imagem:www.tumblr.com )

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MULHERICES FOREVER (homenagem à Guégue e Niz Pólis)

Eram duas amigas, aliás primas-irmãs. Já passavam dos sessenta anos, mas ainda curtiam a vida e a companhia preciosa uma da outra. Cheias de mulherices, como estarem bem vestidas e usarem chapéus, não perdiam o hábito de saírem para lanchar ou mesmo de viajar para a Europa, pois Estados Unidos já havia se tornado punk demais para elas.

Amavam inventar histórias. Quando iam para Veneza, cidade sempre visitada, riam dos romances tórridos com que sonhavam quando eram casadas ainda, antes de se tornarem viúvas. Se imaginavam encontrando um homem que lhes pegassem a mão e as conduzisse a uma gôndola. Quando em Gramado, seria um gauchão daqueles que lhe puxariam para dançar batendo botas e dando-lhes apertos pela cintura.

Desde crianças (tipo com quatro anos) eram dadas a essa brincadeira: contar histórias uma para a outra, repartindo fantasias e sonhando juntas. Até quando uma ia ao banheiro, a outra acompanhava e contava histórias de elefantes que invadiam o pátio do jardim de infância e a outra, sentada no vaso, acreditava. Mas a que contava também.

Na juventude sonhavam com um Lô Borges romântico ou um surfista gato. Entre os vinte e trinta se casaram e tiveram uma filha cada uma. Aos trinta e poucos, aspiravam apenas curtir uma praia e assistir comédias românticas para alimentar sonhos e alegrias. E assim foram, juntas, amigas; aos quarenta e poucos nem precisam mais falar para saber o que a outra pensa. Certa vez riram tanto no Mac’Donalds que nenhuma pessoa se sentou à mesa ao lado, com olhar de estranhamento.

Suas filhas únicas as amam, e ainda bem que também se amam, são amigas, aliás, como irmãs, primas-irmãs.

Hoje, já com muita idade, ainda riem juntas, criam histórias, relembram outras, as vividas e as inventadas, bebem Coca Diet, comem salgadinhos finos e curtem seus modelitos parecidos, tal como faziam quando bem pequenas, quando usavam, como se fosse um pacto de sangue, cada qual um pé do chinelo florido da outra, formando pares compostos por Havaianas vermelha e azul.

E lá se vão, pela vida afora, repletas de mulherices, enquanto as Parcas continuarem a tecer o fio de suas vidas.

(Imagem de Ruth Orkin)

 

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MENINAS DA ROÇA, MULHERES DA CIDADE

Ouvir memórias de infância é algo que me fascina. Aqui, nas cidades do Espírito Santo, quase todas as mulheres com quem conversei sobre suas infâncias começavam dizendo: “A minha infância foi na roça…”. E lá vinha muita brincadeira na lama, caveiras de mamão, crueldades com primos e irmãos, biscoitos de avó, aranhas, bonecas de espiga de milho, TV só muito depois, enfim, infância na roça. Mas hoje elas estão na cidade, sendo do interior ou não do estado, e não se percebe mais tais vestígios, só mulherices contemporâneas e urbanas, tais como roupas da moda, cabelos escovados, papo aberto, medos de escada rolante, de elevador, calças saruel, maridos, namorados…

Muito interessante pensar que essa “infância na roça”, apesar de ter ficado para trás na voz dessas mulheres (a maioria ainda tão jovem), é motivo de orgulho, uma espécie de luxo: brincar de pés descalços no rio, correr pelo mato… Amazonas do Espírito Santo, eu poderia assim chamá-las.

Mas é quando riem, quando falam besteiras, quando trocam mulherices, que ainda consigo enxergar aquele espírito livre de quando eram crianças. E vem o cheiro de bolo, do leite queimado, a fala da mãe que quando não queria proibir algo apenas dizia “porta-me-lá” (não me importa que você vá, mas eu não aprovo). Entretanto, ao mesmo tempo as perco de vista, as Amazonas, que ficam à sombra das mulheres da cidade.

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