Arquivo do mês: novembro 2015

FACEBOOK AO VIVO – Rapidinha 58

Facebook ao vivo é quando você encontra suas amigas de adolescência após um afastamento de mais de 35 anos, e todas contam sobre como suas vidas sempre foram perfeitas e bem sucedidas, chegando a parecer um concurso de quem mente mais.

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“O QUE EU VIM FAZER NO GRAJAÚ?!”

Resultado de imagem para rua arborizada a noiteManoela estava doida para chegar em casa, vontade de fazer xixi dentro do ônibus cheio e lento. Celular toca na bolsa e ela se lembra da possibilidade de uma cliente nova que ficara de confirmar a massagem. Confirmou.

Já era noite no bairro do Grajaú quando a massagista anã apertada procurava o número do prédio na rua da madame; “21, 23… Muro, muro, muro, 25! Eba!”. Prédio antigo, sem porteiro, cadê o interfone? Sabe aquele seriado antigo, ”Terra de Gigantes”, em que se cruzava um portal e chegava-se a um lugar onde pessoas gigantescas e seus gatinhos e cachorros eram todos ameaçadores e malvados? Pois foi assim que Manoela se sentiu ao olhar para cima, afinal ela era anã, e parece que esse mundo é só de gente alta… Criança? Nem pode brincar de tocar campanhia dos outros! Cadeirantes? Rezem! E anões, bem, não são muito diferentes.

Primeiro deu um pulinho, assim, meio disfarçando o “mico”, depois outro mais altinho, mais alto ainda. Precisava de um banquinho, escadinha, bota de drag-queen, qualquer suporte. Olhou em volta, nem um paralelepípedo dando sopa.

E ainda tinha o xixi que parecia aumentar com o medo de estar naquela rua meio escura, “Que tanta árvore é essa nesse bairro, Jesus, cobrindo os postes?”. Mas, ao longe, vê uma pessoa vindo, um rapaz. Enquanto ele se aproximava, Manoela, ao invés de se sentir feliz, o que de fato foi sua primeira sensação, começou a ter mais medo e mais vontade de fazer xixi, pois pensou na possibilidade do cara ser um ladrão. Chegou a catar sua sacola que estava no chão e cruzar a rua para o posto de gasolina em frente, ir ao banheiro e correr para casa, mas como furaria com uma cliente nova? E o cara vindo… E o dinheiro que receberia? E o cara vindo…

Começou a saltar que nem “o ‘Homem Mola” daquele desenho animado, “Os Invencíveis” da década de 70 (não confundam com “os Incríveis”, da Pixar). Mas nem a botinha preta do personagem ela tinha e, pulando como louca, tentava alcançar o desgraçado do interfone, fingindo que nem tava vendo o suposto bandido.

Quando o cara finalmente chegou pertinho dela, sequer olhou-a, passou batido. Manoela olhou o “distinto pelas costas”, pois já era assim que começou a chamá-lo no pensamento. O medo deu lugar à raiva. Saiu correndo atrás dele, saltou nas suas costas com sacola e tudo. Caindo os dois pelo chão o homem diz:

– Que isso, mulher? É assalto? Só me faltava essa, uma anã ladra! Tá louca?

– O senhor, se é que posso lhe chamar assim, é um grosssiiiilllldooooo! Não viu que eu estava tentando alcançar o interfone e nem para me ajudar?

Para completar, ela nem notara que, no pulo, o xixi, que já não cabia mais na bexiga, havia espirrado para fora. E, de quebra, molhou também o sujeito.

– O que é isso, minha senhora? Xixi? Eu não merecia isso, caído aqui no chão com uma anã ladra e mijona! Não me faltava mais nada hoje!

– Momomoço, desculpe… Eu…

– Eu nada! Tchau, sua maluca!

Manoela se sentou na calçada com sua legging de onça toda molhada, a sacola da Espaço Fashion que ganhara de uma cliente, rasgada. Pensou: o que eu vim fazer no Grajaú a não ser pular que nem canguru, não alcançar o interfone, não fazer a massagem, pular em cima de um homem que eu nem conheço e me mijar toda?

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