50 TONS DE CINZA – agora sobre o filme

Resultado de imagem para 50 shades of grey movieDe férias em Búzios, Valentina e sua irmã foram assistir ao filme 50 Tons de Cinza. Mas antes de chegarmos ao filme em si, tinha a fila de espera no charmoso cinema buziano.

Depois de terem comido uma empanada argentina (muito da sem vergonha) no bistrô do cine, as duas mulheres resolveram sentar-se no hall em meio às imagens lindas de Brigitte Bardot e outras fotos mais (para quem não sabe, o cine leva seu nome – Cine Bardot). Eis que entra um casal que, à primeira vista, parecia não combinar: a mulher com os cabelos oxigenados, já com seus 50 anos, gordota, até parecia grávida, mas pela idade isso não seria possível; o homem, com seus quase 60, bonitão. Eis que ela pergunta em tom bem alto: “- Esse filme é dublado?!” O rapaz do cine, meio encabulado, respondeu que não. “- Aliás, aqui no nosso cinema, acho que nunca tem filme dublado…!” Para Valentina e a irmã, nada mais perfeito, pois detestam filmes dublados (“Cariocas não gostam de dias nublados”, e talvez de filmes dublados). Ela se dirigiu ao homem em alto e bom som e, quase gritando, disse: “Ih!!! Não é dublado, pode?!” E foi aí que o bonitão abriu a boca e revelou-se nada bonitão, com um jeito de falar meio xucro. “Fazer o que? Só tem esse prá assistir…” “E desconto? Tem?” O rapaz novamente disse que não, a não ser pelos critérios de meia e inteira. Valentina quase morreu, em nome dos tantos professores que conhece, com a seguinte resposta: “E para professora? Ah! Tem que ter…”

E aí veio a hora do filme. Valentina leu os 3 livros sobre o romance sádico entre Anastácia e Mr. Grey, mas já havia lido críticas sobre o filme nada entusiasmantes. O que de fato se comprovou, apesar de alguns pontos positivos:

1º: Mr. Grey está muito fofinho na tela. Nos livros ele não tinha nada de fofo, muito pelo contrário. É um homem frio, denso, psicótico, controlador, às vezes rude, e fodedor (“Eu não faço amor, eu fodo, e com força”, ele informou à moça virgem apaixonada). Em outras falas ele se sai melhor ao longo do filme, mas nesta, especialmente, o ator pareceu não ter alcançado o tom certo.

2º: Anastácia é idêntica à moça do livro, embora pudesse ter um pouco mais de força na tela.

3º: Pontos altos: a cenografia (tal como é descrita nos livros) e a trilha sonora.

4º: Anastácia, ao tentar se doar ao seu dominador, não aguenta. No filme, ela não demonstra o que no livro se coloca: ela chora pela dor de ter de perdê-lo e pelo fato de ter se sentido duramente agredida, ou seja, não foi capaz de compreender o jogo do sexo sadomasoquista, o que aliás, tratando-se de vida real, não tem nada demais. Mas Valentina se lembra de ter chorado enquanto lia essa cena, mas no cinema não ficou comovida, embora muitas pessoas tenham chorado ou sentido vontade.

5º: Filmes geralmente não fazem jus a suas adaptações de livros; contudo, ficou faltando algo muito importante no quesito sexo, eixo da trama. Por exemplo, cadê a cena das bolinhas de metal instaladas por Grey na vagina de Ana, que teve de segurá-las durante um jantar inteiro? Talvez por medo de deixar o filme mais pesado, eu presumo, optou-se pelo romance.

Enfim, 50 Tons de Cinza é o que é, nas telas e nas páginas, ou seja, uma chave de braço, daquelas que prendem todo mundo, por mais que tenha sido considerado literatura ruim ou um filme água com açúcar: a curiosidade pelo sadomasoquismo por um lado; por outro, o conto de fadas que enlouquece às mulheres.

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