Arquivo do mês: abril 2014

AS MENINAS BICHAS

Valentina e Élida adoravam conversar sobre espíritos e seus segredos. Morrerem de medo juntas era quase um programa de lazer.

Um dia, sentadas na portaria do prédio, falaram de uma vizinha bem mais velha do que elas (tinham 16 e 17 anos na época) que “recebia” uma Pombagira no apartamento.  E acaba que, como sempre, o medo se instalou nas duas mocinhas que se lembraram de uma tarde em que lancharam na casa da tal mulher, e esta “recebeu” a entidade; elas ficaram completamente fascinadas com a Maria Padilha que pediu sua saia, que aliás era linda, para a amiga com quem morava e também estava na casa! E também lhes disse que tudo que quisessem bastava lhe solicitar.

Já com medo e, sozinhas lá embaixo, viram que já passava das 22h (nesse horário o síndico do prédio mandava apagar as luzes das escadas para economizar energia). Valentina morava na cobertura, e depois do elevador precisava subir para chegar em casa. Implorou à amiga que seguisse com ela. E lá  se foram, então.

Agarradas já pelo corredor ao saírem do elevador, ao começarem a subir correndo  as escadas, ouviram os passos de alguém que descia, e logo se puseram a gritar, histericamente, mas sem pararem de subir. Os gritos eram daqueles finos que saem do fundo da garganta, sabem como é? Eis que a sua frente aparece a mãe de Valentina que ia pegar uma correspondência. “Mas o que é isso?! Que gritaria é essa?! Parecem uma meninas bichas!”, ela falou alto como se quisesse botar moral naquela mulherice.

As duas meninas pararam de gritar, e Élida ainda conseguiu dizer: “Ai, eu só vi seus sapatos vermelhos e pensei na pombagira, D. Teresa, desculpe!”. D. Teresa não parava de dizer que as duas não passavam de duas meninas bichas, “O que é isso?!, Eu hein!”. Continuaram subindo e no corredor correram para a porta. E riram muito, por serem chamadas de “meninas bichas”.

 

 

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AS CARTAS NÃO MENTEM JAMAIS

Abundância, o TrêsConsultar uma cartomante é considerado uma mulherice. Até mesmo nosso divino Machado de Assis começa seu conto, “A Cartomante”, tratando a ida da personagem feminina a uma cigana que lia a sorte pelas cartas de baralho como uma besteira. Mas depois ele “se rende” e leva o amante da moça também a mesma adivinha. O fim do conto eu não vou dizer para que desejem ler/reler.

As mulheres (e muitos homens também) sempre adoraram os caminhos da adivinhação, tanto que muitas estudaram/estudam o tarô e sabem jogá-lo. Valentina é uma dessas pessoas. Aliás, amigas, irmãs e filha a solicitam também para as cartas. E é mesmo uma mulherice só: no geral querem saber de amores, traições, trabalho e por aí vai. Mas os romances ainda lideram a lista.

Muitas vezes as mulheres para quem joga a encontram depois e falam que ela acertou, porém Valentina geralmente não se lembra das histórias, pois ficaria doida com tantas confusões. Mas que é uma delícia, é… Trocar segredos, indicar caminhos, deixar vir à luz o que aquelas figuras nas cartas podem revelar é mesmo muito gostoso; um aproximação muito feminina.

Verdade ou não, o tarô parece ser uma prática dos que querem saber do futuro ou se estão fazendo o melhor do seu presente. “As cartas não mentem jamais!”, será? Bem, como diz uma das amigas de Valentina, Maria, “o tarô é uma brincadeira que eu gosto de levar a sério”.

 

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RAPIDINHA 48 – EM DIAS DE CHUVAS

Mulherice em dias de chuva: estacionamento de guarda-chuvas no banheiro do trabalho.

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PÁGINAS DE VALENTINA NO GLOBO BARRA

QUER SABER MAIS?

http://oglobo.globo.com/rio/bairros/criadora-do-blog-mulherices-claudia-medeiros-lanca-livro-12172623

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PÁGINAS DE VALENTINA POR AÍ

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Deu no Jornal O Globo – caderno GLOBO BARRA!!!

A jornalista Ana Clara Veloso arrasou com uma matéria muito alegre e simpática sobre o meu livro, “Páginas de Valentina”. Ela conseguiu captar o espírito do livro e o da escritora, Adorei!!!

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DUAS MULHERES, UM VESTIDO

Sabe aquele vestido que você tem há pelo menos uns 5 anos, bem bonitinho, leve, estampado, que fica uma graça em você e, o melhor, ainda lhe cabe e serve para ir à uma festinha?

Quando Valentina se arrumou para ir ao aniversário de 7 anos da filha de uma super amiga, elegeu um vestido daquele tipo: malha fria, estampado, com mangas bacanas, de uma loja bem legal também. Para acompanhar, sapatilhas e uma bolsa cheia de franjas que trataram de fechar toda a bossa. E lá se foi alegre para uma comemoração que, sabia, seria ótima!

Beijos, abraços, festa, comida delícia, animador engraçado e não ridículo como geralmente se vê, amiga feliz, amigos queridos na mesma mesa. Eis que, de repente, ao mirar duas mesas à sua esquerda, Valentina vê um vestido e-xa-ta-men-te-i-dên-ti-co ao seu.

Primeiro veio aquele estranhamento que uma mulher sente quando vê seu vestido numa outra. O vestido, embora igual, parece não ser o mesmo. Valentina morena, a outra loura de reflexos. E por aí vem vindo as diferenças que começam a fazer um mesmo vestido parecer diferente num corpo diferente.

E o fascínio? Não conseguir parar de olhar a outra com o SEU vestido?!  Há quem não se importe (muito), há quem fique (muito/pouco) chateada, mas seja lá qual for sua reação, não passará de uma mulherice, pois é quase impossível não ficar olhando e comentando conforme Valentina: “Gente! Olha a mulher com um vestido igual ao meu!”; “Bem”, se consolou Valentina, “Como eu, ela está de vestido velho, estamos juntas na derrota”. 

Mulherice? De certo! Mas uma coisa é certa: pelo menos um vestido não veste igual em duas pessoas diferentes. Um ser único ainda suplanta qualquer possibilidade de se ficar igual com o mesmo vestido.

(Imagem: whysoorandom.blogspot.com)

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MULHERES CASAMENTEIRAS

Não podia ver ninguém sozinho, especialmente uma mulher. Dava um jeito de apresentar pessoas, mas para se casarem.

Certa vez soube de dois jovens que queriam muito se casar (ele era negro e ela branca – loura e olhos azuis), mas as famílias não tolerariam. Sensibilizada, procurou o padre da igrejinha do bairro, contou a história, arrumou o vestido, fez o bolo, viu quem poderia servir champanhe, ajudou a encontrar o apartamentinho singelo e… Pronto! Casaram-se como Romeu e Julieta, escondidos.

Sim, essa é uma mulherice muito interessante: ser casamenteira; ajudar a formar uniões da ordem do impossível. Mas, quem é ela?

Uma mulher italiana que ficou viúva muito cedo, aos 30 anos com 4 filhos pequenos, cidade de Tubarão/SC/Brasil. Porém, uma dia, já com seus 63 anos, decidiu que chegara a hora de se casar novamente com seu namorado, também da mesma idade. E assim foi. Comunicou aos filhos e arrumou toda a festa: flores na igrejinha do bairro (aquela em que casaram os jovens), pagens com alianças, véu e grinalda, banda, bolo de 5 andares, cascata de taças!

Mulheres casamenteiras são do grupo das agregadoras, aliás, outra mulherice muito nobre. Fica esse tema para uma outra história…

(Imagem: linhapopular.com.br)

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