AS POLENTAS

Valentina tem duas amigas muito queridas há pelo menos dez anos. Trabalham juntas, mas não na mesma gerência. Amigas do tipo “as três mosqueteiras”. São As Polentas.

O nome Polentas vem de uma das “Pegadinhas do Mução”, um programa de rádio, que tratava de um nordestino com um jeito de falar muito engraçado que passava trotes encomendados por alguém. Ele tomava conhecimento de alguma “fraqueza” do sujeito e, no meio do papo, mandava sem pena. Aí a pessoa ficava louca, o xingava de tudo!

As Polentas adoravam ouvir (nem tanto os xingamentos, a não ser os muito originais, como “seu boca preta de cachorro!”, mas sim por causa da inteligência e da ironia do Mução); tanto que era a única coisa que acontecia no carro (denominado “Cata-polenta”) que as fazia ficar em silêncio. Então, certa vez, quando ele falava com uma senhora que cozinhava, tinha uma espécie de bufê, ele mandou “barriga de polenta” (o povo a chamava assim, pois ela era barriguda, mas daquelas de pança molenga); daí veio a brincadeira delas entre si, de se chamarem de Polentas. Uma colega até disse que criassem um bloco de Carnaval: BLOCO DAS POLENTAS, SARADA NÃO ENTRA!

As Polentas (que não têm barrigas) são mesmo um presente na vida de Valentina, pois é com elas que come Pipoca Frank (aquela do saco rosa) ao som de Kung-Fu-Fighting, toma café da manhã uma vez por semana antes de irem para o trabalho na padaria do Jerimum (outra brincadeira delas), riem das mais diversas situações olhando pela janela do carro. Até escreveram uma lista de títulos que dariam a crônicas de um livro que farão em conjunto sobre fatos e pessoas testemunhados por elas. Eis alguns: “A Corredora Maluca” (sobre uma mulher com a voz mais chata do mundo que começou a frequentar a academia e ficava se gabando que vinha correndo para o trabalho); “O Carvalhão” (sempre passavam por um caminhão vermelho cujo nome pintado na porta era esse; e de tão alto, nunca conseguiam ver a cara do sujeito); “A Anãzinha do Grajaú” (uma mulher anã que tentava alcançar o interfone sem sucesso); e outros mais!

Pois é. Valentina sabe que pode contar com As Polentas, elas se apoiam, discutem, debatem e se cuidam. Certa vez, uma das Poles (simplificação de Polenta), quando Valentina passara aquele aperto com Marcelo (quem não conhece Valentina nem Marcelo, deve voltar ao texto 1), lhe preparou uma espécie de medalha com dois lados para pendurar no espelho do carro com as fotos de Lenny Kravitz e Robbie Williams, a qual era virada de frente para elas conforme a música que tocava, pois adoravam suas canções e também o shape desses dois homens-cantores-gatos. Parece uma bobeira, mas é uma demonstração de carinho que só uma Polenta designer poderia ter.

Mulheres, quando têm amigas de verdade e desse quilate, encontraram o mapa do tesouro, aquele que fica guardado num baú de prata todo trabalhado e forrado de veludo roxo encorpado, repleto de boas surpresas, como cobertor para o inverno, sorvete para o calor, perfume para a primavera e creme hidratante para o outono.

(Este texto é uma homenagem ao trio das Polentas: Claudia, Ana Cristina e Ruth)

(Imagem: voceachacerto.blogspot.com)

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2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher, Sentimentos

2 Respostas para “AS POLENTAS

  1. Cristina Medeiros

    Muito divertido ! É bom ter amigas assim! bjs

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