Arquivo do mês: maio 2013

AS POLENTAS

Valentina tem duas amigas muito queridas há pelo menos dez anos. Trabalham juntas, mas não na mesma gerência. Amigas do tipo “as três mosqueteiras”. São As Polentas.

O nome Polentas vem de uma das “Pegadinhas do Mução”, um programa de rádio, que tratava de um nordestino com um jeito de falar muito engraçado que passava trotes encomendados por alguém. Ele tomava conhecimento de alguma “fraqueza” do sujeito e, no meio do papo, mandava sem pena. Aí a pessoa ficava louca, o xingava de tudo!

As Polentas adoravam ouvir (nem tanto os xingamentos, a não ser os muito originais, como “seu boca preta de cachorro!”, mas sim por causa da inteligência e da ironia do Mução); tanto que era a única coisa que acontecia no carro (denominado “Cata-polenta”) que as fazia ficar em silêncio. Então, certa vez, quando ele falava com uma senhora que cozinhava, tinha uma espécie de bufê, ele mandou “barriga de polenta” (o povo a chamava assim, pois ela era barriguda, mas daquelas de pança molenga); daí veio a brincadeira delas entre si, de se chamarem de Polentas. Uma colega até disse que criassem um bloco de Carnaval: BLOCO DAS POLENTAS, SARADA NÃO ENTRA!

As Polentas (que não têm barrigas) são mesmo um presente na vida de Valentina, pois é com elas que come Pipoca Frank (aquela do saco rosa) ao som de Kung-Fu-Fighting, toma café da manhã uma vez por semana antes de irem para o trabalho na padaria do Jerimum (outra brincadeira delas), riem das mais diversas situações olhando pela janela do carro. Até escreveram uma lista de títulos que dariam a crônicas de um livro que farão em conjunto sobre fatos e pessoas testemunhados por elas. Eis alguns: “A Corredora Maluca” (sobre uma mulher com a voz mais chata do mundo que começou a frequentar a academia e ficava se gabando que vinha correndo para o trabalho); “O Carvalhão” (sempre passavam por um caminhão vermelho cujo nome pintado na porta era esse; e de tão alto, nunca conseguiam ver a cara do sujeito); “A Anãzinha do Grajaú” (uma mulher anã que tentava alcançar o interfone sem sucesso); e outros mais!

Pois é. Valentina sabe que pode contar com As Polentas, elas se apoiam, discutem, debatem e se cuidam. Certa vez, uma das Poles (simplificação de Polenta), quando Valentina passara aquele aperto com Marcelo (quem não conhece Valentina nem Marcelo, deve voltar ao texto 1), lhe preparou uma espécie de medalha com dois lados para pendurar no espelho do carro com as fotos de Lenny Kravitz e Robbie Williams, a qual era virada de frente para elas conforme a música que tocava, pois adoravam suas canções e também o shape desses dois homens-cantores-gatos. Parece uma bobeira, mas é uma demonstração de carinho que só uma Polenta designer poderia ter.

Mulheres, quando têm amigas de verdade e desse quilate, encontraram o mapa do tesouro, aquele que fica guardado num baú de prata todo trabalhado e forrado de veludo roxo encorpado, repleto de boas surpresas, como cobertor para o inverno, sorvete para o calor, perfume para a primavera e creme hidratante para o outono.

(Este texto é uma homenagem ao trio das Polentas: Claudia, Ana Cristina e Ruth)

(Imagem: voceachacerto.blogspot.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher, Sentimentos

MAIS MULHERICES AOS 50

Cristina, outra mulher muito bonita, era chamada de “filha pérola” pelo pai (o mesmo pai de Sílvia, do post entre as Rapidinhas 31 e 32). Talvez pela feminilidade tão forte que transpira, desde bem novinha, também é cheia de mulherices, aliás, talvez uma das mulheres que mais as cometa, com muita sabedoria e curtição.

Quando criança pediu à mãe que comprasse um creme de cor azul que viu na farmácia, chamado “Serra Azul” (“Era uma delícia!”, ela se lembra. Após o banho passava o creme se deliciando). Outra mulherice precoce, é que naquele tempo ninguém quase usava shampoo, era uma coisa nova, e ela também pediu que comprasse. Com os irmãos brincava de cabeleireira, cortando-lhes o cabelo (nem sempre o resultado era bom). Nunca se esqueceu do primeiro namorado aos 4 anos de idade, que ficou com ela do lado de fora da festa na escola, pois nem sua mãe nem seu pai se lembraram de pagar para que participasse e a escola sequer teve consideração, era só cobrar de novo. Então, ser dengosa sempre foi com ela mesma.

Uma de suas mais incríveis foi assistida pela sobrinha de 16 anos, na época, quando foi visitá-la na Suíça, onde morava (outra de suas mulherices: morar em países diferentes). Entraram no ônibus e havia apenas dois assentos vazios, mas quando chegaram perto viram que estavam ocupados por mochilas. Ela virou-se para trás e perguntou a um casal de jovens se lhes pertenciam. O rapaz disse que sim, mas não moveu uma palha para retirá-las, tipo “são minhas, mas ficarão aí”. A moça tirou, talvez antevendo o que uma mulher pode fazer quando irada.

Cristina não se fez de rogada. Sentou e jogou as mochilas por cima de sua cabeça para trás. A sobrinha disse: “Tiaaa! Não precisava ser tão violenta”! E ela: “O que foi? Esses suíços, tão finos, são é muito folgados”!

(Imagem: lojaallori.blogspot.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher

SOBRE “AS CANALHAS”, o programa

Assisti a um dos episódios de “As Canalhas”, novo programa do canal GNT. A história tinha como personagens principais uma estagiária bem jovem, recém contratada, e seu chefe (casado), dono de uma agência de publicidade. O cara era uma caricatura desse tipo de profissional, todo de preto com suspensórios, chapéu e gravatas coloridas. A moça era engraçadinha e muito esperta. O programa tratou, na verdade, de homices e não de mulherices.

1ª homice: o chefe cantando a moça que, de início, ficou animada com o pequeno assédio; mas logo começou a observar que ele também jogava charme para todas as mulheres da agência (2ª homice), o que a fez constatar que não passava de um idiota. Até aí, tudo nos conformes, pois demonstrou que a moça não cumpria o protocolo de se achar mais especial do que as demais (uma mulherice muito recorrente: achar que um safado, quando interessante, vai desistir de tudo só para ficar com ela, A escolhida!).

3ª homice: as atitudes do cara, insistindo em “comer” a moça, desprezando a ideia de que seus comportamentos ora sedutores, ora cheios de desculpas, não significavam que ela não estivesse a fim, talvez apenas “fazendo um doce”.

 4ª homice: as atitudes da moça (sim, ela agia sob a tutela das homices, e não das mulherices). Pensava do alto de sua ingenuidade que o cara não percebia suas desculpas (o que até poderia ser, já que os homens se acham;  mas também porque homem não se importa muito com nossas respostas quando tem em mente a conquista, algo para satisfazer seu ego e seu p…. Geralmente não fica pensando se a mulher está dando desculpas ou não. Como eu já escrevi numa das “Rapidinhas”, “homem com tesão é pior do que homem apaixonado”.

5ª homice: A moça tinha a pretensão de estar enganando o cara, agindo como se fosse um homem: manter a chama acesa com pequenas provocações (homem geralmente não diz que não te quer, apenas curte o assédio se não estiver muito a fim, mas não dispensa); marcar e não aparecer, dar desculpas das mais esdrúxulas (beirando o inverossímil) e manter-se como interessada.

6ª homice: A moça curtia sadicamente a mobilização do cara, mas sem perceber que estava a serviço do mesmo.

7ª homice: Ter que dar para o chefe pois não havia mais saída, já que se envolvera demais. Aliás, nesse momento da história ocorre uma mulherice: ela se consulta com uma amiga que lhe dá esse conselho idiota. Como não há saída? As mulheres não podem desistir de seguir com uma relação, ainda que não totalmente desenvolvida? Tem que ir até o fim? Ah! Outras mulherices ocorrem também, mas cometidas pela esposa traída, que chega à firma e bate no cara e grita perguntando sobre quem ele está “comendo” (mulherice), mas vai embora e continua casada com ele  (mulherice).

8ª homice: o chefe transa com a estagiária no banheiro da firma, goza num minuto, lógico, e ela ali, com nojo de tudo, mas dando para o cara.

Por fim, ela arruma outro emprego e o cara fica meio que a ver navios.

Bem, analisando o episódio, todas as atitudes são em nome de homices, até sexo no banheiro com todo mundo sabendo, aconteceu. E o pior: com a moça achando que estava no comando porque mantinha o cara mobilizado. Ao contrário, ele tinha todo o tempo do mundo, e teve o que queria. E ela? O que ela queria? Príncipe não era, já que de início percebeu o tipo do cara e sabia criticá-lo.

Era suficiente sentir-se dominando (falsamente) uma situação para no fim dar para o cara, ponto de partida da história? Há um filósofo, Derridà, que fala que apenas inverter posições não muda o jogo, o mantém cada vez mais forte; seria como se tivéssemos que realizar uma espécie de deslocamento, o que não houve.

Que pena que a figura feminina da história apenas agiu como um homem agiria, com o agravante de achar que estava pilotando tudo, mas que não passou de uma comandada. Ainda estamos sob o ideário do poder masculino nas relações, por isso em situações assim, a mulher acaba agindo com um, como o verdadeiro original. Há outras coisas para aprendermos com os homens, sem dúvida, como fazer sexo pelo simples prazer ou ter uma praticidade espetacular para enxergar o mundo. Aqui, não foi o caso.

Espero que o título “As Canalhas”, não signifique apenas que as mulheres irão se limitar a imitar os homens no seu pior, vingando-se sozinhas (epa! pior no sentido das queixas das mulheres). Pois esse filme a gente já viu, e morre no final.

4 Comentários

Arquivado em Comportamento, Homem, Mulher, Sexo

RAPIDINHA 33 -CAPITALISMO E MATERNIDADE

“É muito perversa essa relação entre Capitalismo e Maternidade”.

(Frase de minha amiga Lisyane dos Santos)

(Imagem: maeemulheraomesmotempo.blogspot.com)

Deixe um comentário

Arquivado em Comportamento, Dinheiro, Mulher

RAPIDINHA 32 – SINAL DE MENOS

Há umas idiotices que pessoas queridas fazem que nos impelem a dar um tempo delas ou, como diz uma amiga, “gosto dele(a), mas agora coloquei um sinal de menos ao lado de seu nome”.

(Imagem: pamelaaraujoo.blogspot.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento

MULHERICES APÓS OS 50

Sílvia é daquelas mulheres que se aposentaram com salário integral, ainda aos cinquenta e poucos anos e que, por isso, tem muito para aproveitar a vida. Quem tem ela por perto não imagina sua vida sem ela, tão querida e generosa, sempre.

Agora estuda inglês de novo, retornou à academia, clareou mais os cabelos (ela é loura, mas agora está mais para uma sereia dourada), faz massagem… Só mulherices!

Mas a melhor vocês não sabem: começou aulas de belly dance. Entrou por acaso, viu na academia o nome da atividade, nem se lembrou de que “belly” é barriga, ou seja, dança do ventre. Já comprou três sainhas diferentes, uma preta com as medalhas douradas, uma azul e outra toda metalizada. E dá-lhe de dançar para os amigos, diante do I-Phone com a coreografia filmada para não se perder. Muita mulherice!

É muito bom vê-la quando se solta, ela é super engraçada! Entretanto às vezes, no afã de que tudo dê certo e nada saia errado para ninguém (ela é daquelas que só pensa na felicidade dos outros), beira à tensão e acaba por não curtir como poderia e deveria.

Colocar suas saias e mostrar passos novos de belly dance seria um daqueles momentos, pois ri muito de si mesma e sabe que fica linda com aqueles penduricalhos tão sensuais e tilintantes. Seria como se ela vibrasse a som de ouro. E é isso mesmo: Sílvia é puro ouro, já dizia o falecido pai: “Você é a filha de ouuuuro”! E ele não exagerou.

(Imagem: br.ioffer.com)

2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Mulher

RAPIDINHA 31 – MULHERICE NA ROÇA

A mãe cortou o pescoço da galinha para o almoço. A filha, quando se deparou no quintal com uma galinha sem cabeça correndo loucamente, desmaiou! Terror na roça não é para qualquer uma.

(Imagem wp.clicrbs.com.br)

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized