DRAMA, DRAMA, DRAMA

Ganhei um livro de presente de um amigo cujo tema trata das peculiaridades das muitas amigas do autor Joaquim Ferreira dos Santos. O livro se chama “Minhas Amigas – Retratos Afetivos” (Ed. Objetiva). São pequenas crônicas, muito bem escritas. Há uma que retrata uma mulherice e tanto, digna de um filme: jogar bebida na cabeça do namorado que estava na companhia de outra mulher. Copiei um trecho para vocês:

28.

(…) Ela foi fria. Aproximou-se da mesa em que o casal estava. Primeiro, pegou a latinha de cerveja que o namorado tomava e despejou na cabeça do próprio. Sempre em silêncio (…). Pegou a latinha que a moça bebia. Julgou a coitada sem culpa. Voltou-se de novo para ele e repetiu o descarrego líquido, derramando a segunda latinha sobre a cabeça do infiel. Pronto. (…) Minha amiga acha que vingança é latinha a se derramar, estupidamente gelada, na consciência dos pecadores. Deu meia-volta. Saiu porta afora, debaixo do silêncio que as platéias reservam às grandes atrizes (p.61).

Gostei quando o autor conta que a mulher até pensou em jogar na outra, mas a perdoou. Taí o ponto: nós, mulheres, geralmente ficamos com raiva da outra mulher como se os homens não fossem tão culpados assim, só culpadinhos. Talvez isso ocorra apenas porque como não queremos romper com o relacionamento, daí fica mais fácil para perdoar se jogarmos a culpa nas outras. Será que é isso?

Mas quem fez a escolha? Ele. E essas escolhas são danadas, porque implicam em nós, as traídas, fazermos as nossas escolhas, obrigatoriamente. Drama, drama, drama, como dizem os americanos. Você quer drama maior do que não querer terminar com um homem, mas se sentir obrigada a isso devido atitudes que ele teve, com as quais não concorda? Drama, drama, drama! Nesse caso, fica muito difícil não ceder às desculpas e às juras de amor que os homens nos fazem, muitos ajoelhados aos nossos pés: “Eu não tenho nada com ela, essa mulher é só uma amiga”; “De que mulher você ta falando? Aquela? Meu Deus, você tá falando daquela mulher ridícula?”; “Aquilo que você viu não significa nada, para com isso, vem cá…”; e tantas outras mais. E quando eles dizem, mesmo com a cabeça toda molhada do copo que você virou, que ele não tava com mulher nenhuma. E a convicção deles? Até ficamos na dúvida se o que vimos era verdade ou não.

Perdoa-se ou não uma traição? Resposta difícil, pois varia de acordo com muitas coisas, tais como o nosso amor próprio, nosso amor pelo homem, nossa vaidade, o que esperam que a gente faça etc. Certa vez uma amiga comentava que uma conhecida sua pegou o marido na cama com outra, e que ela não só o perdoou como o aceitou de volta após breve separação. “Eu não o perdoaria!”, ela disse cheia de decisão. Lembro-me de ter feito o seguinte comentário: “Cada um perdoa o que lhe convém, ou o que tolera. Talvez ela goste tanto dele que não conseguiu deixá-lo. E ele pediu perdão de joelhos, disse que estava arrependido, o que é uma hipótese…”. Lembrei a essa amiga que ela mesma já havia sido vítima de agressão do marido algumas vezes e lhe perguntei: “Será que a outra amiga toleraria uma agressão?” Gostei do que ela me disse: “É mesmo. Estou aqui a julgando e cada um age da forma como consegue, e que nem sempre é a forma como pensa. É um dilema, não devemos julgar ninguém”.

Parece muito simples quando não estamos naquele lugar fatídico. Fatídico para quem não é cínica. Há também quem não se importe porque tem em mente outros interesses, inclusive financeiros. Outras não gostam mais do cara, têm outro, sei lá! Mas como disse minha amiga, às vezes agimos não como pensamos, mas como conseguimos. Drama, drama, drama!

Um amigo, que sempre traiu suas mulheres, disse que se for traído não perdoa. “Mas que engraçado, você!”, eu disse. Mas ele mandou uma ótima de volta, que tem a ver com o que está acima: “Não combinamos que é condição mútua. Se ela perdoa, é problema dela, eu não perdoo; não aguento sofrer traição”. Por isso nunca namoramos, sempre fomos amigos (muito) íntimos numa determinada fase de nossas vidas. Preferia ter nossa amizade sã e salva.

Ih, acabei saindo um pouco dos trilhos da história da traição com essa lembrança.

(Revisão: Ney Flávio Meireles)

(Imagem: kucamoraes.com.br)

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2 Comentários

Arquivado em Comportamento, Homem, Mulher, Sentimentos

2 Respostas para “DRAMA, DRAMA, DRAMA

  1. Maria Cristina

    Esse é o blog da minha amiga!!! Sensível, bem escrito e articulado, cheio de singelas e humoradas mulherices. Parabéns!!!
    Cris Louro

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