E FOI AÍ QUE A BRIGA COMEÇOU

Nesta semana que passou tive um debate bom com uma pessoa que está acompanhando o blog, e isso foi muito bom para me fazer pensar sobre algumas coisas.

Nosso discurso, seja falado, dançado, escrito, cantado, – sempre é responsivo, ou seja, significa que a comunicação não é um “papo-reto”, mas sim que do outro lado há um outro sujeito que pensa a partir de experiências diferentes das nossas,

o que pode provocar uma leitura ora ampliada, ora diferente, ora reduzida, ora compartilhada do que está sendo dito. É um alguém que está em posição de resposta, sempre. Até mesmo não responder é responder.

No caso de um blog é complicado lidar com isso, pois o que parece ser divergência apenas pode ser uma diferença de leitura. E isso é muito interessante, pois gera uma nova configuração para um simples texto (simples para quem o escreveu, é lógico). Depois de postado, um texto não é mais seu, mas de quem o lê. Há inclusive a tese da “morte do autor”, já que sem leitor, não há texto. Será? Mas essa é uma questão para a Filosofia.

Transpondo para a relação entre homens e mulheres, o que para uns é uma mera mulherice, para outros é uma atitude séria e digna de ser respeitada. Certa vez, ao me comunicar com um argentino que já vivia no Brasil há mais de 10 anos, quando eu lhe disse “Não sei porque você está aborrecido”, ele ficou “p” da vida e gritou: “Por que você está me chamando de burro?” Foi aí que a briga começou, conforme diz um e-mail que recebi, até bem engraçado, sobre um casal que bastava alguém espetar o outro que era dito “E foi aí que a briga começou”. Por ser cheio de homices e mulherices tão corriqueiras que sempre dão em briga de casal, resolvi copiar parte dele para vocês:

E FOI AI QUE A BRIGA COMEÇOU…

Minha esposa sentou-se no sofá junto a mim enquanto eu passava pelos canais.

Ela perguntou:

“O que tem na TV?”

Eu disse:

“Poeira.”

Aí, a briga começou…

 Minha esposa estava dando dicas sobre o que ela queria para seu aniversário que estava próximo. Ela disse:

“Quero algo que vá de 0 a 100 em cerca de 3 segundos”.

Eu comprei uma balança para ela. Aí, a briga começou…

 Minha esposa e eu estávamos sentados na minha reunião de colégio, e eu fiquei olhando para uma moça bêbada que balançava seu drinque enquanto estava sozinha numa mesa próxima.

Minha esposa perguntou:

“Você a conhece?”

“Sim,” disse eu, “Ela é minha antiga namorada. Eu sei que ela começou a beber logo depois que nos separamos há tantos anos e, pelo que sei, ela nunca mais ficou sóbria”.

“Meu Deus!”, disse minha esposa, “quem pensaria que uma pessoa poderia ficar celebrando por tanto tempo?”

Aí, a briga começou…

Pois é, a comunicação é algo muito interessante, pois os signos que nos permitem pensar e agir, e que deveriam regular nossa conversa, nem sempre têm essa função. Pelo contrário, pois há em jogo a experiência de ser, que atravessa as relações e põe pimenta ou refresco nos olhos de quem vê. Apesar de tudo, ainda é melhor tentar dizer o que estamos querendo, sentindo, pois só assim haverá maior chance (embora muitas vezes sem garantias) de nos aproximarmos e sabermos o que outro quer. E, por mais incrível que isso possa parecer, nós também sabermos o que queremos. Ao dizer, você também está ouvindo o que está saindo de sua boca. Às vezes, é bom se escutar também.

(Revisão: Ney Flávio Meirelles)

(Imagem: materiaincognita.com.br)

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