CARTAS E TELEFONEMAS ANÔNIMOS

Esta história é de um tempo em que os emails não eram assim meios de comunicação expressivos e que identificadores de chamada, primeiramente conhecidos como “binas”, eram coisas mais raras ainda. Entretanto, ainda era época em que uma mulher mandava cartas anônimas de amor e dava telefonemas de madrugada para uma suposta amante (ela acreditava nisso) do homem pelo qual se apaixonou platonicamente:

aliás, um homem que tampouco sabia de seu interesse e, detalhe, não tinha nenhum um sobre ela (“- NUUUNCA DEI PAPO A ESSA MULHER, MAL FALAVA COM ELA! EU SEQUER A NOTAVA…”), palavras dele, indignadas, e acho que muito sinceras, embora eu nem conheça a “mulher das cartas de amor anônimas”.

A inspiração para o texto foi o relato de um amigo (confesso que foram segredos de alcova) sobre quando fora alvo daquela situação. Então vamos lá, pois você que está lendo, acho que vai adorar.

Meu amigo era advogado na época e, onde morava, havia uma vizinha que pediu sua ajuda numa ação cível. Conversavam muito publicamente, logo eram sempre vistos juntos, mas o tema era somente sobre o processo. Eu e você podemos acreditar nisso, mas houve uma mulher que não acreditou e se incomodou com essa situação, embora sequer fosse amiga de qualquer um dos dois.

Bem, e foi aí que tudo começou… As cartas de amor anônimas eram endereçadas a ele, o teor era caloroso, apaixonado e revelavam juras de amor e confissões secretas, “uma coisa incrível e todas muito mal escritas”, ele me disse. Já os telefonemas da madrugada eram para a amiga-cliente, com xingamentos ofensivos, grotescos e cheios de muuuito ciúme. E o mais interessante: ninguém era adolescente, todos com idade entre 35 e mais de 40 anos.

Mas a amiga-cliente não deixou barato. Conseguiu um bina emprestado com um colega da antiga Telefônica (lembrem-se de que o aparelho era coisa rara!) e finalmente descobriu que se tratava de uma vizinha acima de qualquer suspeita, inclusive casada. De saco cheio de ser acordada quase todas as noites com trotes, não fez por menos: bateu à porta da apaixonada e pediu que parasse com tal absurdo, pois tinha como comprovar todas as ligações. Até o marido da tal tentou se meter, mas a outra disse que era melhor ele ficar calado para não ficar com cara de c______ (pode completar).

E daí que “nunca mais” uma mulher amou assim, platonicamente, com cartas anônimas e trotes de madrugada, a um vizinho que considerava muito interessante, mas que, provavelmente, jamais saberia de sua paixão secreta. Coitada dela, que amor solitário. Legal o amigo que emprestou o bina. Corajosa a amiga-cliente. O marido, enganado. E o homem, bem, como todos os homens, se achando, lógico (brincadeirinha, bonitãão… É que como ele vai ler o texto eu não quero perder a oportunidade de implicar um bocadinho com ele hehehe!). E fim. Mas… Alguém aí ainda manda cartas de amor e passa trotes à noite para uma mulher rival?

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8 Comentários

Arquivado em Amor, Medo, Mulher, Sentimentos

8 Respostas para “CARTAS E TELEFONEMAS ANÔNIMOS

  1. Anônima, eu só recebi um e-mail, mas era vírus…rssss
    Receber carta, e-mail, bilhetinho ou torpedo é muito bom, mesmo que seja mal escrito, pelo menos um burrinho te ama…rsss

  2. Ney Flávio Meirelles

    Que história incrível, hein? Freu tinha mesmo razão: a gente nunca sabe mesmo o que quer uma mulher e, sobretudo, quando esta mulher em pleno século 21 ou seria o 20, ainda acredita em amor platônico… eu hei…

  3. Já pensou passar uma vida inteira sem ser amado? Deve ser muito triste e deprimente, por isso qualquer forma de amor é válida, mesmo que seja um burrinho, um feinho ou um nada a ver, não importa, o importante é ser amado!

  4. Fiz alguma coisa desse tipo, qdo tinha uns 14 anos!!!! Ligava pro menino e desligava assim que ouvia a voz dele. rsrsrs. Essa história me vez lembrar da minha doce e sofrida paixão adolescente e platônica.

    • EU, ENTÃO! MAS É ISSO, ÉRAMOS MUITO JOVENZINHAS…E NEM ERA UM AÇÃO SOLITÁRIA, POIS COMPARTILHÁVAMOS COM AS AMIGAS, ENFIM, UMA MULHERICE DIVERTIDA QUANDO SE TEM 14 ANOS. E ME PERGUNTO SE A QUELA MULHER ESTAVA SE DIVERTINDO…

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