CONTOS DE FADA FADADOS AO LUGAR COMUM – I

Resultado de imagem para princesasVamos dar um passeio pelo mundo encantado das princesas. De qual delas você mais gosta?

(   ) Branca-de-Neve

(   ) Cinderela

(   ) Aurora (Bela Adormecida)

(   ) Bela (A Bela e a Fera)

(   ) Yasmin

(   ) todas das que você se lembra e eu não lembrei

A minha preferida é a Branca-de-Neve! “É a mais linda das bonitas!” (frase da minha prima-irmã Paula Pereira). Seu vestido amarelo com aquele corpete de veludo azul marinho que deixa qualquer uma linda é sensacional! Vamos agora à história das duas primeiras princesas, senão o texto vai ficar muito grande. Duas delas já são suficientes:

1)    Branca-de-Neve: era uma vez uma mocinha cujo pai, homem maravilhoso, não tinha olhos para ver o mau caratismo da mulher que escolhera para casar depois de ficar viúvo. Mas que sabia escolher mulher linda e gostosa, ah, sabia. A madrasta era mais linda do que a Branca-de-Neve, gente, é inegável a comparação nessa perspectiva.

2)    Cinderela: outra órfã de pai cegueta para mulher cretina e sádica que adorava maltratar a moça. E essa ainda tinha duas filhas monstras. Todo mundo sacaneava a Cinderela, até o gato gordo das bandidas (Lúcifer, o nome do Cabrunco, do Coisa Ruim, socorro!) a torturava.

Lembro-me de uma dessas revistas americanas de humor e sarcasmos, cuja coleção eu lia escondida de meu irmão, que tinha uma seção que dizia mais ou menos assim: “O que aconteceu depois do e eles foram felizes para sempre?”. Primeiro quadrinho: Branca-de-Neve indo com o príncipe no cavalo branco, os Anõezinhos chorando e dando adeus. Segundo quadrinho: Branca-de-Neve no castelo do Príncipe, roupa rota, de quatro, lavando o chão com um esfregão.

Há muita chacota desse imaginário perfeito de casamento de príncipes e princesas. Percebo que esse deboche deve-se, principalmente, ao fato de nós, mulheres, sermos as únicas em que neles acreditamos, pois se os homens também acreditassem isso seria objeto de ridicularização? Aliás, ninguém questiona os pais das princesas, que eram reis ou senhores de bem e ricos, por suas escolhas terríveis, para as filhas.

Sempre existiu essa coisa de que nós, mulheres, já teríamos nascido princesas e que algum príncipe nos iria escolher para só, assim, conseguirmos ser verdadeiramente felizes. Pensem nas princesas dos clássicos. Alegrinhas, mas melancólicas, cantarolando músicas enquanto caminham sozinhas, brincando com os animaizinhos, desapegadas do vil metal, sem consciência de sua beleza e charme, inocentes… Isso mesmo, inocentes, pois só assim para acreditarem que o príncipe que as beijará as fará renascer. Esse é o ponto: estamos como mortas, sem valor, se não temos um macho que nos beije e acenda nossa verdadeira luz interior (bem, é o que dizem…). E tem mais: as mocinhas dos contos vivem todos os dramas, fogem, se ferem, rasgam os vestidos, suam, ficam descabeladas, lutam para, ao final, um príncipe, sem desmanchar o cabelo que parece escovado no melhor salão de beleza, fazer qualquer coisinha para salvá-las. Mas não basta só serem salvas dos perigos: têm que casar para serem felizes para sempre!

Me pergunto: será que a Branca-de-Neve não era feliz com os 7 Anões? Parecia que sim, apesar de ser discutível trabalhar como empregada doméstica de 7 homens-porquinhos, mas ela não demonstrava sentir-se explorada, parecia até que dar faxina era coisa molinha de se fazer. E Cinderela também, nunca reclamava. Mas as histórias mostram como se elas só se dessem conta do que é felicidade depois de encontrarem o príncipe. A Banca-de-Neve, então, houve o caçador que lhe poupou a vida e mais 7 homens (os Anões) que a amaram e lutaram por ela contra a bruxa, eu me lembro… Já com a Cinderela a coisa era diferente, pois só vivia trancafiada em casa, ralando muuuito. Acho que nesse caso o casamento seria a primeira porta para a liberdade. Para ela, casar seria um ótimo negócio. Mas desde que o príncipe fosse mesmo legal.

Agora me digam: entre Cinderela e Branca-de-Neve, qual delas você seria? Você bancaria não casar logo com o príncipe? Lembre-se da ironia daquela revista: uma princesa corre o risco de continuar a lavar escadarias. Mas e se não arriscar? O que será que estará perdendo? Ou ganhando?

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10 Comentários

Arquivado em Comportamento, Felicidade, Príncipes, Princesas

10 Respostas para “CONTOS DE FADA FADADOS AO LUGAR COMUM – I

  1. angela

    Mulher apaixonada vai atrás. Paga pra ver. Só pensam duas vezes (e os homens não), quando tem filhos.
    Seja uma ou outra, depois vê como fica, mas acho que pagam pra ver.

  2. Lúcia Regina Oliveira

    Claudia,

    Que delícia ler seu texto!
    Ri, sorri e dei boas gargalhadas…
    Falar da alma e sentimentos femininos é um belo desafio.
    Mas como não ousar, se a “mulherice” transpira em seus poros…
    Adorei este encontro com sua escrita, sua alma transcrita, se propondo a dialogar com outros/outras que vivem, sentem, sofrem, mas acreditam não só em “contos de fadas” (ou encontros de almas), e sim, que viver é ser autor(a) e fazer seu próprio caminho só, e até, bem acompanhada.

    Lúcia Oliveira

    • VOCÊ TOCOU NUM PONTO ESSENCIAL: PODEMOS VIVER E ENCONTRAR, CAVAR CAMINHOS, SOZINHAS OU ACOMPANHADAS. VALE TUDO PRÁ GENTE TENTAR SER FELIZ, MAS NEM SEMPRE ACERTAMOS A MÃO…E É NESSA HORA EM QUE TEMOS QUE PENSAR: “MAS EU SOU A DONA DO MEU DESTINO… LOGO, POSSO ERRAR”.

  3. Ana Magalhães

    Claudinha,
    Adorei ler o o texto! Muito bom. Dei boas gargalhadas. Me diverti muito. Quanto ao espelho da madastra de Branca de Neve. Tb acho que ele é gay,rsrsrsrsrsrs. Que danadinho!
    Vc é carinhosa e meiga até escrevendo, Ao ler imaginava suas gargalhadas e ria mais do que devia. O blog já é um sucesso. Parabéns!

    Ana Magalhães

  4. Mara

    Claudia,
    quando menina, ainda estudante dos anos iniciais do fundamental, adorava me esconder na biblioteca da escola e ficar “viajando” nos Contos de Fadas. Achava todas elas lindas e muito sortudas… Hoje, do alto dos meus quarenta e poucos, acho que são todas umas enjoadas, mimadas. Definitivamente não me identifico com nenhuma delas.
    Deus sabe o que faz! Tenho 2 meninos e aprendi a gostar e a perceber a inteligência dos vilões, das madrastas e do Shreek.
    Viva a Fiona que existe em todas nós!
    bj

    • AI, QUE EU ADOREI ESSA COISA DE QUE HOJE AS PRINCESAS LHE PARECEM (COITADINHAS) ENJOADAS E MIMADAS! ALGUMAS DELAS NEM SABIAM QUE ERAM PRINCESAS, LEMBRA-SE DA BELA ADORMECIDA, POR EXEMPLO? MAS COMO DISSE O MEU QUERIDO LEANDRO KONDER,A CRUELDADE TEM SEU CHARME E SEU QUÊ DE HUMOR… VIVAM AS MALVADAS, TAMBÉM!

  5. Silvia Medeiros

    Nas brincadeiras infantis, eu, por ser loira, sempre era a Cinderela e minha irmã mais velha, que tinha cabelos escuros, era a Branca de Neve. Adorava me imaginar indo pro baile numa linda carruagem e a melhor parte, encontrar o príncipe encantado e ser feliz para sempre. Por que não?

    • O único problema disso tudo foi a construção de uma subjetividade que conduz às mulheres por um caminho de fantasia a respeito dos homens e que nada, nem toda a independência conquistada por elas, lhes importa se arrumam um macho. Mas fingir de princesa é tudo de bom! Sem dúvida…Mas podemos provocar as meninas fingirem ser mulheres fortes, sem príncipes, também, o que não acontece…

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